O mercado financeiro global debate a sustentabilidade da ascensão das ações de tecnologia, impulsionadas pelas big techs e empresas de inteligência artificial (IA). Após anos de recordes, o entusiasmo atrai tanto investidores institucionais quanto pessoas físicas, levantando a questão de uma possível bolha de IA. Uma pesquisa do Bank of America (BofA) revela que 54% dos gestores financeiros acreditam que os investimentos nas ‘Sete Magníficas’ – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – estão sobrecarregados, indicando um risco de correção intensa. Apesar disso, 45% consideram baixa a probabilidade de uma bolha de IA, enquanto 53% afirmam que o setor já está inflacionado.
Os receios são alimentados pelo aumento de investidores e pelos altos investimentos em expansão, como a construção de data centers e aquisição de chips. Esse ‘boom de capex’ pode pressionar as empresas caso os resultados não correspondam às expectativas, tornando a valorização vulnerável a correções. A Elos Ayta aponta que as Sete Magníficas perderam mais de US$ 1,7 trilhão em valor de mercado em menos de um mês, embora ainda acumulem forte valorização a longo prazo.
Maria Irene Jordão, estrategista global da XP, ressalta a importância de diferenciar empresas de IA, questionando o ritmo de crescimento de algumas, especialmente aquelas que ainda não geram lucro. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, pondera que o mercado está sensível aos dados e que a percepção de uma bolha de IA futura está crescendo. Ele compara a situação com as bolhas da internet e imobiliária, que tiveram longos períodos de expansão antes do estouro.
Para quem investe ou pretende investir em tecnologia, a recomendação é cautela. Jordão sugere buscar empresas que entregam valor e estão bem posicionadas, especialmente aquelas que fornecem a infraestrutura necessária para a IA, como data centers e linhas de transmissão. A especialista enfatiza a volatilidade do setor e a importância da diversificação, lembrando que o ciclo de IA está apenas começando.