Um aplicativo que utiliza inteligência artificial para criar avatares de pessoas falecidas, chamado 2Wai, tem gerado grande debate online sobre a tecnologia do luto. O app, disponível inicialmente nos Estados Unidos, permite recriar virtualmente uma pessoa para interações ao vivo, necessitando de um vídeo prévio da pessoa para criar o avatar digital.
Um vídeo demonstrativo da tecnologia viralizou no X, mostrando uma mulher grávida conversando com sua falecida mãe, gerando discussões acaloradas. Calum Worthy, cofundador da 2Wai e conhecido por seu papel na série “Austin & Ally”, compartilhou o vídeo, que alcançou milhões de visualizações, mas também atraiu críticas sobre a potencial perda de contato com a realidade e a dificuldade no processo de luto.
O 2Wai cria “gêmeos digitais” não apenas de pessoas falecidas, mas também de personagens, como personal trainers ou agentes de viagem. Para falecidos, requer um vídeo gravado antes da morte. A IA amplia o repertório do “gêmeo digital”, permitindo que fale como a pessoa real, reconheça o usuário e lembre informações passadas. O aplicativo suporta mais de 40 idiomas e está disponível para iOS, com planos para Android.
Especialistas alertam para o risco de dependência e confusão entre o real e o simulado, especialmente durante o luto. A psicóloga Mariana Malvezzi da ESPM destaca que a tecnologia pode gerar dependência afetiva e amplificar a angústia, minando a autonomia emocional e dificultando a ressignificação da perda. Uma pesquisa da ESPM revelou que um em cada quatro brasileiros consideraria usar IA para conversar com familiares falecidos.
O uso de IA para “reviver” falecidos tem se tornado mais comum, como no caso de uma vítima de homicídio que “participou” de um julgamento no Arizona e um avatar de um jovem morto em um massacre entrevistado por um jornalista. Essas tecnologias levantam questões éticas e emocionais complexas.